15 de jun de 2017

O que faltava



#nowplaying: https://www.youtube.com/watch?v=IaAl0kiFF6Y

Talvez fosse isso o que faltava pra varrer seus restos da minha mente, que insiste em te trazer de volta como o mar devolve os objetos que ele não aprecia.

Eu precisava escrever sobre você. Mesmo que você nunca leia. Precisava juntar você a essa coletânea de divagações.

Nós não podemos ser amigos agora, e eu nem sei dizer quando poderemos ser. Não se preocupe: o problema não é você, sou eu.  É que a minha vontade de você ainda não passou, embora, acredite, eu esteja me esforçando bastante. Mas dói demais. Machuca mesmo pensar em você, sentir que sinto sua falta e você não sente a minha. Que pra você foi muito fácil me deixar como um estrangeiro solitário, demolindo meu futuro e me acordando do sonho que era meu presente. Não me sobrou nada.

E ainda dói, todos os dias. Quando vou dormir, sempre espero pra te dar boa noite e te contar sobre meu dia, mas você não está mais ali. Quando abro o armário e vejo sua camiseta. Quando abro a carteira e vejo aquela nossa foto. Ainda não me acostumei. Mas eu vou tentando, vou vivendo, acertando e errando. Também me permito chorar, mesmo que talvez você não mereça ou nem se importe. Ou nem saiba. Mas meu ex-amor, ontem eu dei o maior passo para seguir em frente: eu sorri pensando em você! E eu nunca tinha sorrido daquele jeito.

Lembrei de um momento que dividimos, as sensações, o frio que fazia, a chuva fina que caía. O meu cabelo que saía péssimo nas fotos. Aquela pizza que comemos no jantar. O café que dividimos. O teu abraço que me acalmava e aquecia. O sorriso estampado no meu rosto simplesmente por ter você ali comigo. Eu estava muito feliz e isso transbordava. Então, ao lembrar disso tudo, eu sorri. De orelha a orelha.

E foi aí que me dei conta que, mesmo com o gosto amargo do fim, nada vai ser capaz de apagar essas lembranças. E sinceramente, eu não me importo como você irá usá-las. Para mim, elas sempre vão ter um gosto especial, mesmo que um dia nos tornemos dois estranhos.

"Tocava aquela música que era a nossa cara
Quis saber como você estava
Senti a sua falta
Bem que você podia me ligar

Como vai? O que tem feito?
Disfarçaria para não dar nenhuma bandeira
Pra fingir que tá tudo certo
Que a minha vida continua da mesma maneira

Mas o tempo que era tão pouco
Com você por perto
E agora um deserto
Já sei que as flores de plástico não vivem"
(Aquela Música, Jay Vaquer)





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